Diretor de Third Land detalha os riscos e tensões ao filmar refugiados iranianos

Em exibição no Ji.hlava Documentary Film Festival, o longa acompanha o limbo permanente de uma família na Turquia.

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Cena do documentário Third Land
Third Land retrata o cotidiano de refugiados iranianos na Turquia. Crédito: Divulgação / Ji.hlava

O documentário Third Land, dirigido pelo cineasta iraniano Farzad Khoshdast, explora a dura realidade de refugiados que vivem em um limbo permanente na Turquia. A obra foi selecionada para exibição na seção Czech Joy do Ji.hlava Documentary Film Festival, evento que ocorre na República Tcheca até o dia 1 de novembro de 2026. A trama acompanha um engenheiro iraniano chamado Hamid, sua esposa Hananeh e o filho de ambos, que enfrentam as contradições diárias de terem o status de refugiados reconhecido por agências internacionais, mas sem residência legal garantida no país onde buscam abrigo.

Em entrevista à Variety, Khoshdast revelou que levou cerca de dois anos, divididos em três períodos distintos, para conquistar a confiança da família e estruturar a narrativa do projeto. O cineasta explicou que o processo envolveu momentos de extrema tensão e medo, chegando a ser detido de duas a três vezes pelas autoridades locais. Um dos episódios mais graves aconteceu em Ancara, logo após um ataque terrorista, quando policiais foram até a residência de Hamid com a intenção de prender o diretor, que só evitou a detenção imediata após a intervenção de amigos que garantiram sua apresentação posterior na delegacia.

A escolha estética e de produção também exigiu sacrifícios extremos. O diretor e sua esposa investiram todas as economias pessoais para viabilizar a realização do longa, ficando sem recursos financeiros ao término das gravações e impossibilitados de retornar ao Irã devido à situação de segurança. Segundo Khoshdast, a história de Hamid ilustra a situação vulnerável enfrentada por cerca de meio milhão de iranianos forçados a deixar seu país de origem. Para o realizador, dar visibilidade a essas trajetórias invisibilizadas reforça a urgência de debater o custo humano do exílio e da burocracia internacional.

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