Conflito nos bastidores coloca em xeque a neutralidade de Ninguém Quer Isso

Divergências públicas entre elenco e criadora sobre o conflito em Gaza evidenciam a recusa da comédia da Netflix em abordar temas geopolíticos e identidade judaica contemporânea.

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Cena da terceira temporada de Ninguém Quer Isso na Netflix
Adam Brody e Kristen Bell na terceira temporada da comédia romântica da Netflix. Crédito: Netflix

A comédia romântica Ninguém Quer Isso, sucesso da Netflix estrelado por Kristen Bell e Adam Brody, viu-se arrastada para o centro de um intenso debate político após declarações públicas de seu elenco e criadora. As discussões vieram à tona quando o ator Adam Brody, intérprete do rabino Noah Roklov, afirmou em entrevista que considera as ações de Israel em Gaza um genocídio e declarou apoio a uma Palestina livre. A manifestação gerou reações imediatas nos bastidores da produção.

A criadora da série, Erin Foster, baseada em sua própria experiência de conversão ao judaísmo, tentou contemporizar a situação em uma participação em podcast. Foster afirmou que discorda de Brody, mas pontuou que a divergência é aceitável, mantendo sua posição vaga e definindo a obra como uma carta de amor ao judaísmo. Em tom muito mais duro, a atriz Tovah Feldshuh, que interpreta a mãe de Noah, Bina, criticou abertamente as falas de Brody em declaração ao New York Post.

O atrito público expõe uma tensão latente sobre como a série aborda a identidade judaica. Desde a estreia de sua primeira temporada, a produção optou por manter uma postura de leveza e escapismo, evitando temas espinhosos ou divisões internas profundas dentro da comunidade judaica, como o impacto geopolítico do conflito no Oriente Médio. Enquanto produções de streaming costumam navegar por terrenos complexos, Ninguém Quer Isso priorizou a comédia romântica despretensiosa, deixando de fora discussões que fazem parte do cotidiano de muitas famílias judaicas fora da ficção.

A repercussão das falas de seus próprios realizadores mostra que a tentativa de manter a narrativa neutra e estritamente segura já não se sustenta inteiramente fora das telas. Com a chegada de sua terceira temporada à Netflix, a série enfrenta o desafio de continuar vendendo uma fantasia romântica enquanto o mundo real e as opiniões divergentes de sua equipe colidem diretamente com a proposta original da história.

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