Street Fighter lidera bilheterias nos EUA, mas documentário de Nathan Fielder vira fenômeno histórico

Adaptação dos games arrecadou US$ 31 milhões em sua estreia, enquanto You Can See Everything marcou a segunda melhor abertura de um documentário na história do cinema norte-americano.

3 min de leitura

Cenas de Street Fighter e do documentário You Can See Everything
Street Fighter liderou as bilheterias nos EUA, enquanto You Can See Everything registrou marcas históricas para o formato documental. Crédito: Paramount Pictures / A24 / Divulgação

O fim de semana nas bilheterias norte-americanas entregou um cenário duplo e curioso: uma vitória comercial previsível no topo e um fenômeno de público sem precedentes logo atrás. O reboot em live-action de Street Fighter, produzido pela Paramount Pictures em parceria com a Legendary e a Capcom, assumiu a liderança com uma arrecadação estimada em US$ 31 milhões nos Estados Unidos. O resultado cumpriu a meta inicial do estúdio para o fim de semana de estreia, impulsionado por um público predominantemente masculino e acima dos 35 anos, que respondeu por 45% dos ingressos vendidos.

Apesar da liderança do longa de artes marciais, que recentemente movimentou os fãs com curiosidades de bastidores reveladas pelo elenco, como a quase participação especial de nomes clássicos lembrada em matéria sobre a quase presença de Kylie Minogue na produção, todas as conversas na indústria se voltaram para a A24. O estúdio independente causou uma verdadeira comoção cultural com You Can See Everything, documentário de três horas codirigido por Lance Oppenheim e pelo comediante Nathan Fielder.

O fenômeno histórico de You Can See Everything

Exibido em um circuito limitado de apenas 855 salas, You Can See Everything arrecadou expressivos US$ 15 milhões no primeiro fim de semana. O número representa a segunda maior abertura de um documentário na história do cinema dos Estados Unidos, ficando atrás exclusivamente de Fahrenheit 11 de Setembro, que registrou US$ 23,9 milhões em 2004. Com uma média de US$ 17,5 mil por sala, trata-se também da maior estreia em menos de mil cinemas desde o lançamento de Borat, em 2006.

O filme acompanha a fundadora da Theranos, Elizabeth Holmes, e seu parceiro Billy Evans no período que antecedeu a prisão federal da empresária por fraude corporativa. Relatos dos exibidores apontaram mais de duas mil sessões com ingressos totalmente esgotados em polos culturais de Nova York, Los Angeles, Toronto e São Francisco, com filas dobrando quarteirões diante da alta procura gerada pelo boca a boca.

A reação da audiência também surpreendeu os analistas: a produção alcançou 98% de aprovação no PostTrak da Rentrak, além de um índice inédito de 91% de recomendação direta entre os espectadores, números comparáveis aos maiores sucessos comerciais dos estúdios Marvel. O interesse massivo foi encabeçado pela Geração Z e jovens adultos, com 70% do público composto por pessoas com menos de 35 anos, transformando a abordagem cinematográfica densa e satírica de Fielder em um evento imperdível nas salas de cinema.

Whalefall naufraga e Sense and Sensibility tem saída moderada

Do outro lado da tabela, a 20th Century Studios enfrentou um tropeço com o suspense marinho Whalefall. Orçado em cerca de US$ 60 milhões líquidos e estrelado por Austin Abrams e Josh Brolin, o longa arrecadou apenas US$ 8 milhões em 3.065 cinemas, ficando muito abaixo das expectativas que previam uma estreia superior a US$ 11 milhões. O filme teve seu público dividido diretamente com a nostalgia de Street Fighter e com a procura fervorosa pelo projeto da A24.

Enquanto isso, a Focus Features estreou sua nova versão de Sense and Sensibility, com custo de US$ 20 milhões, arrecadando US$ 7,25 milhões e conquistando nota A- no CinemaScore, puxada por um público feminino de 84%. Esse movimento diversificado de títulos fez a arrecadação geral do fim de semana atingir cerca de US$ 107 milhões nos Estados Unidos, demonstrando vigor para a temporada de outono no Hemisfério Norte, muito superior ao desempenho registrado no mesmo período do ano anterior.

Outro marco veio das exibições selecionadas de La Bola Negra, aquisição da Netflix premiada no Festival de Cannes, que registrou uma média por sala de US$ 69,3 mil em apenas quatro cinemas de Nova York e Los Angeles, se consolidando como uma das maiores médias por tela do ano. Para quem acompanha o impacto de figuras do entretenimento e das premiações em eventos recentes como o Academy Museum Gala 2026, o final de semana confirma que o público jovem segue ditando os rumos e surpresas das bilheterias.

Comunidade PopCo

Comentários (0)

Entre na conversa. Seu comentário aparece na hora e pode ser respondido por outros leitores.