Grimes ganha participação especial em Gods Don’t Give Gifts, primeiro filme em inteligência artificial nos cinemas
Artista experimental integra o elenco do longa pós-apocalíptico após contato direto pelo X e cede sua licença de imagem de forma gratuita.
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A cantora e artista experimental Grimes, codinome de Claire Boucher, garantiu uma participação especial de alguns minutos em Gods Don’t Give Gifts, apontado como o primeiro longa-metragem inteiramente produzido com inteligência artificial a estrear comercialmente nos cinemas. A confirmação da participação detalha os bastidores de como o projeto uniu o diretor Zack London e a musicista após interações na rede social X em março, quando a artista respondeu a clipes compartilhados pelo criador.
No enredo do filme R-rated de ficção científica, Boucher interpreta Zaynith Alda, uma aristocrata exigente ligada à influente família Halvorith. A personagem aparece em uma sequência inicial onde busca um ‘dreamspool’, experiência ilícita que permite aos usuários vivenciarem realidades alternativas dentro do mundo digital de NiiroCradle. A produção satiriza a relação da humanidade com a tecnologia e aposta em uma campanha agressiva em Nova York para tentar sensibilizar os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas na categoria de melhor animação.
O envolvimento de Boucher ocorreu após mensagens diretas na internet, resultando na adaptação do papel para incorporar traços da própria persona da artista, incluindo o design de uma máscara mecânica e a remoção do sotaque britânico inicialmente previsto para o restante do elenco. Segundo o diretor, a musicista autorizou o uso de sua licença de imagem sem cobrar cachê, sugerindo que a equipe direcionasse os recursos financeiros para os demais atores e técnicos envolvidos na obra.
Ela disse: ‘Vocês são independentes, apenas coloquem esse dinheiro nos outros atores e no filme’, relatou Zack London sobre a postura da artista em relação aos custos de produção.
O estúdio Fable, responsável pelo desenvolvimento tecnológico da obra, tem realizado exibições voltadas para o bloco de animação da Academia em Nova York e Los Angeles antes do lançamento comercial programado para 4 de dezembro de 2026. A estratégia busca vencer a resistência tradicional de Hollywood em relação a ferramentas generativas e posicionar o longa ao lado de produções de destaque no circuito de animação.
A iniciativa reforça uma tendência gradual de celebridades autorizando o uso de suas imagens e vozes em projetos baseados em inteligência artificial, embora o tema ainda gere debates acalorados sobre direitos autorais e remuneração na indústria do entretenimento. No caso de Boucher, a abertura para o uso tecnológico não é novidade, visto que a musicista lançou em 2023 o programa Elf.Tech, permitindo que fãs utilizassem sua voz digital em produções musicais sob diretrizes específicas de divisão de royalties.
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