Sylvain Chomet rejeita acusações de inteligência artificial em curta de Dior estrelado por Robert Pattinson
Indicado ao Oscar por As Bicicletas de Belleville, o cineasta francês esclarece polêmica em torno de curta-metragem animado e detalha uso pontual de interpolação digital.
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O cineasta francês Sylvain Chomet, quatro vezes indicado ao Oscar por produções marcantes como As Bicicletas de Belleville e O Mágico, veio a público esclarecer as acusações de que seu curta-metragem animado criado para a Dior teria recorrido a ferramentas de inteligência artificial generativa. O filme de seis minutos intitulado Christian Dior’s Night in Color reuniu um elenco estelar de vozes que inclui Robert Pattinson, Rihanna, Josh O’Connor, LaKeith Stanfield, Louis Garrel e Camille Cottin, atraindo enorme atenção da comunidade cinéfila global logo em sua estreia.
A controvérsia ganhou força nas redes sociais quando espectadores apontaram falhas visuais específicas na animação, como uma personagem exibida com seis dedos em um dos quadros, sugerindo rapidamente que o material pudesse ter sido gerado por computador. O debate acalorado ganhou proporções maiores devido à proposta da campanha de lançamento da temporada de festas de 2026 da maison francesa, que posicionou a obra de forma destacada como uma celebração ao artesanato tradicional e ao trabalho manual minucioso típico dos ateliês de alta-costura da marca.
Em entrevista exclusiva concedida ao veículo Variety, Chomet e o produtor Aton Soumache negaram categoricamente o uso de inteligência artificial para criar a arte do projeto. Segundo a dupla criativa, a produção consumiu sete meses de trabalho árduo com uma equipe dedicada de cerca de vinte profissionais, incluindo seis animadores focados exclusivamente no processo tradicional em 2D. O produtor explicou que apenas uma ferramenta automatizada de interpolação foi aplicada em escala extremamente reduzida para auxiliar na fluidez de quadros intermediários mecânicos.
“Usamos um sistema de interpolação automatizada para uma parte muito pequena do processo, mas o filme em si é uma animação tradicional em 2D”, pontua Soumache com firmeza. Chomet complementa que a tecnologia serviu unicamente para acelerar etapas repetitivas e mecânicas, mantendo o processo criativo inteiramente nas mãos dos artistas que desenharam personagens, cenários e poses-chave digitalmente em mesas gráficas, embora o diretor ressalte o desejo pessoal de retornar ao papel e ao lápis tradicionais.
“Algumas pessoas estão afirmando que Sylvain foi contatado há duas semanas e que o filme inteiro foi feito com inteligência artificial generativa, sem um único desenho, mas a realidade é que este filme levou sete meses para ser feito e foi inteiramente desenhado por artistas.”
Aton Soumache
O diretor também destacou a ironia profunda das críticas ao lembrar de sua trajetória inabalável em defesa da animação desenhada à mão desde o lançamento revolucionário de Toy Story na década de 1990, período em que grandes estúdios declaravam publicamente o fim do formato bidimensional. A obra desenvolvida para a Dior expande a colaboração com o diretor criativo Jonathan Anderson, inspirando-se diretamente na transição histórica do cinema para o Technicolor e na relação íntima do couturier com Marlene Dietrich, além de servir de base conceitual para vitrines e coleções físicas da marca em todo o mundo.
Completando o panorama industrial do projeto, a parceria criativa com Martin Latham no roteiro permitiu conectar elementos marcantes da história da moda com a sensibilidade artística que consagrou Chomet no cinema internacional. A resolução das dúvidas em torno dos processos visuais reafirma o valor do ecossistema de animação tradicional europeia diante das novas transformações tecnológicas que continuam a mobilizar discussões no setor audiovisual contemporâneo.
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