Michael 2026
Michael Jackson continuará sendo maior do que qualquer projeto sobre ele. O longa compreende isso tarde demais, mas, quando deixa a música falar, finalmente encontra sua razão de existir.
3 min de leitura Publicado em 28.07.2026, às 01h23
Transformar a vida de Michael Jackson em cinema é uma missão praticamente impossível. Não apenas pela dimensão de sua carreira, mas porque sua imagem ultrapassou há muito tempo os limites de um artista comum. Michael se tornou um fenômeno cultural tão gigantesco que qualquer filme dedicado a ele inevitavelmente parecerá menor do que seu próprio protagonista.
Dirigido por Antoine Fuqua, “Michael” acompanha a trajetória do cantor desde seus primeiros anos no Jackson 5 até sua consolidação como o maior astro pop do mundo. Jaafar Jackson interpreta o artista na fase adulta, enquanto Juliano Valdi assume sua versão infantil.
O longa entrega aquilo que promete como espetáculo. As apresentações musicais, a caracterização e a recriação de momentos conhecidos da carreira de Michael são tratadas com enorme cuidado. Jaafar não se limita a copiar passos, gestos ou expressões. Existe em sua atuação uma dedicação evidente para reproduzir a presença magnética que transformava qualquer palco em um acontecimento.
Juliano Valdi também impressiona ao representar o jovem Michael. Os dois atores entregam muito mais do que o roteiro permite, encontrando humanidade em um texto que frequentemente reduz conflitos complexos a diálogos simplificados e excessivamente explicativos.
O maior problema do filme está justamente na escrita. “Michael” escolhe uma narrativa muito segura e concentra grande parte de seu antagonismo em Joe Jackson, vivido por Colman Domingo. É uma saída fácil para organizar a história, oferecendo ao público um vilão claro, mas também reduzindo uma vida cheia de contradições a uma estrutura convencional de superação.
Em vários momentos, os diálogos parecem artificiais, como se os personagens estivessem explicando ao público aquilo que as imagens já deveriam comunicar. O desgaste se torna mais evidente no fim do segundo ato, quando o filme perde ritmo e começa a correr entre acontecimentos importantes sem aprofundá-los.
Ainda assim, é difícil considerar a experiência ruim. Sempre que o roteiro fraqueja, a música assume o controle. Canções do Jackson 5 e dos álbuns “Off the Wall”, “Thriller” e “Bad” transformam as sequências em eventos e preenchem os espaços deixados pela narrativa.
É estranho dizer que um filme pode funcionar apesar de seu próprio roteiro, mas “Michael” chega perto disso. A força das músicas, a caracterização e o desempenho dos protagonistas conseguem sustentar uma obra que, sem o nome de Michael Jackson, provavelmente seria apenas mais uma cinebiografia genérica.
No fim, o filme vale todos os seus méritos e deméritos. Não é a grande obra definitiva sobre o Rei do Pop, talvez nenhuma produção consiga ser. Mas assistir à sua história acompanhada por aquelas músicas ainda produz algo especial.
A cinebiografia se apoia em atuações impressionantes e músicas inesquecíveis para compensar um roteiro fraco e excessivamente seguro
Dados da obra
Ficha técnica
- Lançamento
- 22 de abril de 2026
- Duração
- 2h 8min
- Gêneros
- Música, Drama
- Direção
- Antoine Fuqua
- Roteiro
- John Logan
- Elenco principal
- Jaafar Jackson, Colman Domingo, Nia Long, Juliano Krue Valdi, KeiLyn Durrel Jones, Miles Teller, Larenz Tate, Laura Harrier
- Produção
- Lionsgate, GK Films, Optimum Productions
- País
- United States of America
- Classificação
- 12
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