Isomura Hayato relembra papel arriscado em The Moon e cobra maior apoio estatal ao cinema japonês
Estrela de Alice in Borderland comentou os riscos de sua carreira, a experiência como jurado no Festival de Tóquio e a necessidade de fortalecer a indústria local com incentivos do governo.
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O ator Isomura Hayato, reconhecido mundialmente por seu trabalho na série Alice in Borderland e na franquia Tokyo Revengers, abriu o jogo sobre os desafios enfrentados ao longo da carreira e a relevância de produções que abordam temas sociais espinhosos. Em entrevista recente, o artista detalhou o período em que foi alertado por pessoas próximas para recusar o papel principal no drama The Moon, dirigido por Ishii Yuya e inspirado em um incidente real ocorrido em uma instituição para pessoas com deficiência. Apesar dos temores de que a polêmica em torno da temática pudesse prejudicar sua trajetória artística, o ator seguiu em frente com o projeto e acabou conquistando o prêmio de melhor ator coadjuvante no Japan Academy Film Prize.
O envolvimento com narrativas densas também marcou passagens por longas independentes elogiados, a exemplo de Plan 75 e (Ab)normal Desire. Mais recentemente, Isomura integrou o júri do Prêmio de Cinema Ético no Festival Internacional de Cinema de Tóquio, evento que encerrou suas atividades no dia 4 de novembro de 2026. Ao lado de estudantes universitários, ele avaliou produções de diferentes países, destacando o drama alemão I Rarely Wake Up Dreaming, focado nas questões de gênero em meio ao conflito na Ucrânia, como o grande vencedor da categoria após deliberações intensas com o finalista animado brasileiro Amadeo.
Para o ator, a escolha de projetos na televisão e no cinema segue lógicas distintas e bem delimitadas. Enquanto produções seriadas para a TV precisam priorizar o entretenimento puro devido a limitações de profundidade temática, as telonas oferecem espaço livre para diretores e elencos expressarem visões incômodas e pontos de vista politizados. Isomura lamenta a divisão rígida que o público e a indústria do Japão costumam fazer entre filmes puramente comerciais e obras de cunho social, apontando a escassez de produções com sátiras políticas e humor ácido em comparação com o mercado norte-americano.
Olhando para o cenário atual, Isomura celebrou o alcance internacional das produções japonesas em plataformas de streaming, como a parceria com Ok Taecyeon na série Soul Mate da Netflix, e reforçou o desejo claro de expandir sua atuação para o mercado global. Contudo, o ator fez um alerta direto sobre a infraestrutura industrial de seu país natal. Segundo ele, o governo do Japão precisa adotar uma postura mais ativa e fornecer incentivos financeiros robustos, comparando a situação atual ao modelo transformador adotado pela Coreia do Sul nas últimas décadas.
Se você pensar sobre o Japão, eu acho que precisamos de mais fundos, mais apoio do governo para o entretenimento e para os filmes, e eu quero que o governo esteja mais interessado em entretenimento e filmes.
Atualmente em cartaz nos cinemas japoneses com o longa Mentor, dirigido por Yoshida Keisuke e lançado em 16 de outubro de 2026, Isomura já tem garantido outro projeto internacional que deverá estrear em breve no exterior. Paralelamente às atuações em grande escala, ele investe na fundação e produção do Festival de Cinema de Shizuoka em sua província natal, iniciativa criada especificamente para combater a queda na frequência do público às salas de exibição e fomentar a cultura audiovisual entre as novas gerações de espectadores.
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