Magic Atlas faz história como a primeira animação na competição de Tóquio

Desenvolvido ao longo de dez anos pelo artista Sun Xun, o longa utiliza técnicas mistas para explorar as lacunas da memória e do esquecimento em um império fictício.

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O artista e cineasta Sun Xun
O cineasta Sun Xun durante o desenvolvimento de seus projetos artísticos e cinematográficos. Crédito: Variety

A produção Magic Atlas quebrou barreiras históricas ao se tornar o primeiro longa-metragem animado selecionado para a competição principal do Festival Internacional de Cinema de Tóquio. O projeto exigiu uma década de dedicação intensa do artista e cineasta chinês Sun Xun, que precisou financiar parte da obra de forma independente comercializando suas próprias peças e buscando empréstimos durante o período de paralisação das galerias na pandemia de Covid-19.

Ambientada em Luocha, um império minerador de carvão onde o ato de voar é proibido e a população perde as memórias do passado a cada sessenta anos, a narrativa acompanha um órfão que recebe um misterioso livro em uma prisão. A estética do filme recusa os moldes comerciais tradicionais ao mesclar xilogravuras, pinturas a tinta e cores vibrantes inspiradas em referências clássicas, como os murais de Dunhuang, pinturas da Dinastia Song e caligrafias tradicionais asiáticas.

Em entrevista concedida ao portal internacional, Sun Xun detalhou o processo criativo e os desafios enfrentados para concretizar a obra, destacando que concebeu o projeto como um marco definitivo em sua trajetória visual sem se prender estritamente aos rótulos convencionais da indústria.

Eu nunca pensei em Magic Atlas como um filme de animação. Para mim, ele reúne muitas formas de arte. A animação é simplesmente o rótulo que usamos para a sua forma. Fiquei feliz que as pessoas no festival entenderam o esforço que coloquei nele.

O cineasta também comentou sobre suas influências cinematográficas e filosóficas, citando nomes como o diretor soviético Andrei Tarkovsky e o húngaro Béla Tarr pela sinceridade com que abordam a existência humana em suas obras. O artista afirmou publicamente que se opõe ao uso de tramas simplificadas focadas apenas no apelo de embalagem comercial, defendendo que o cinema deve funcionar como a expressão pura de um estado de ser.

A construção da obra também absorveu o impacto de grandes eventos geopolíticos recentes, como a pandemia e a guerra na Ucrânia, além de reflexões pessoais profundas ligadas à conversão do diretor ao budismo. Embora sua intenção não fosse comentar um acontecimento isolado, o cineasta incorporou imagens de civilizações antigas, como as pirâmides, para refletir as divisões sociais observadas contemporaneamente em todo o mundo.

Após a passagem de destaque pelo evento japonês, Magic Atlas já possui planos estratégicos para exibições especiais em galerias e museus situados nos Estados Unidos e em Singapura, embora os curadores ainda não tenham divulgado os locais exatos e as datas definitivas ao público. Enquanto isso, Sun Xun já iniciou os trabalhos em seu próximo longa-metragem, provisoriamente chamado de Fuyou ou Mayfly, que continuará expandindo o universo conceitual de seu antecessor ao focar a experiência individual da perda de memória com previsão de conclusão em dois anos.

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