O encerramento de Stranger Things fechou o capítulo de Eleven, Mike, Will e companhia, mas não necessariamente matou a franquia. Os irmãos Duffer já confirmaram que desenvolvem um novo spin-off live-action, embora tenham deixado muito claro que ele seguirá por um caminho diferente: novos personagens, outro período, fora de Hawkins e sem depender diretamente do Mundo Invertido.
Essa decisão é interessante justamente porque existe uma parte do universo que mostrou como Hawkins poderia continuar funcionando sem repetir a série original. Histórias paralelas ambientadas em outros momentos da cidade conseguem explorar a mesma atmosfera de terror, paranoia governamental e vida suburbana sem precisar trazer Eleven novamente para salvar o mundo. O próprio universo expandido de Stranger Things já começou a testar essa elasticidade com produções e histórias situadas em períodos diferentes.
O risco de voltar eternamente para Hawkins é transformar a cidade em Springfield: um lugar onde o apocalipse acontece toda semana e ninguém pensa em se mudar. Por outro lado, abandonar completamente aquele cenário também significa deixar para trás uma das identidades mais fortes da série. Hawkins nunca foi apenas um endereço. Laboratório, shopping, florestas, fliperamas, escola e bairros residenciais ajudaram a construir a sensação específica de Stranger Things tanto quanto qualquer monstro.
Talvez seja exatamente por isso que os Duffer decidiram sair. Se o novo spin-off conseguir sobreviver sem Hawkins, sem Eleven e sem o Mundo Invertido como conhecemos, a franquia provará que possui um universo de verdade, e não apenas uma história extremamente bem-sucedida que terminou.
Ainda assim, existe algo divertido em imaginar quantas histórias estranhas passaram despercebidas naquela cidade enquanto o grupo principal estava ocupado salvando o mundo. Porque depois de cinco temporadas, uma coisa ficou bastante clara: Hawkins nunca teve apenas um problema. Tinha era um péssimo CEP.