Okinawa Saudade aprofunda a jornada de dançarinos brasileiros em busca de raízes no Japão

O novo documentário do cineasta Matsubayashi Yoju examina a imigração e as tradições okinawanas preservadas no Brasil.

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Cena de Okinawa Saudade
O documentário Okinawa Saudade retrata a imigração okinawana no Brasil. Crédito: Divulgação

Exibido na seleção oficial Nippon Cinema Now do 39º Festival Internacional de Cinema de Tóquio, o documentário Okinawa Saudade retrata a conexão profunda entre gerações de imigrantes japoneses e suas raízes na província de Okinawa. O projeto do cineasta Matsubayashi Yoju acompanha dois dançarinos brasileiros descendentes de okinawanos em uma viagem de intercâmbio cultural para conhecer a história, os costumes e as tradições de seus antepassados em território nipônico.

A produção foca na trajetória de Yumi, jovem praticante da dança clássica Ryukyu Buyo, e de Everton, professor da dança folclórica Eisa no Brasil. A obra cinematográfica expande a pesquisa realizada pelo diretor em seu projeto anterior, o filme Okinawa/Santos, lançado em 2020, que abordou a realocação forçada de imigrantes japoneses e descendentes na cidade paulista de Santos durante o período da Segunda Guerra Mundial.

Segundo o diretor Matsubayashi Yoju, a pesquisa de campo foi enriquecida pelo acervo histórico mantido pelo Bunkyo, centro cultural localizado no tradicional bairro da Liberdade, em São Paulo. O cineasta destacou o volume impressionante de documentos preservados pela comunidade okinawana no país, o que permitiu estruturar uma narrativa centrada tanto na memória coletiva quanto na expressão artística transnacional por meio da dança e da preservação documental.

Este é um filme feito a partir de uma perspectiva em primeira pessoa: de Yumi, de Everton e minha. Eu também estou no filme perguntando quem sou eu, que tipo de pessoa sou eu.

Matsubayashi Yoju

O desenvolvimento do longa-metragem ganhou impulso com o pedido oficial de desculpas formalizado em julho de 2024 pela Comissão de Anistia do governo brasileiro aos prejudicados pelas perseguições estatais do pós-guerra. O reconhecimento abriu caminho para bolsas de intercâmbio e treinamentos práticos no Japão, alinhando-se diretamente ao cronograma de filmagens e à proposta de resgate histórico do projeto documental.

Para viabilizar a finalização da obra, a produção contou com apoio financeiro de subsídios da Prefeitura de Okinawa, em um momento em que realizadores independentes enfrentam restrições orçamentárias severas em órgãos públicos de radiodifusão e cultura no Japão. A estreia de destaque no festival japonês consolida a trajetória internacional do cineasta na preservação de memórias comunitárias e na valorização de intercâmbios culturais de longo prazo.

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