Por que a rejeição em festivais de cinema não define a qualidade de um filme
Especialistas discutem os bastidores das seleções e explicam como curadorias equilibram geografias, linhas editoriais e estratégias de lançamento.
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A jornada de um filme independente no circuito de festivais costuma ser repleta de expectativas e, frequentemente, frustrações. No entanto, curadores e programadores de eventos internacionais reforçam que a rejeição de uma obra está longe de ser um veredito definitivo sobre a sua qualidade artística. A discussão ganhou destaque durante o painel intitulado Film Festivals Decoded: What Happens After You Press Submit?, realizado no 13th Sharjah Intl. Film Festival for Children and Youth, nos Emirados Árabes Unidos.
Durante o evento, profissionais como o diretor artístico do Rotterdam Arab Film Festival, Rosh Abdelfattah, e o presidente do Alexandria International Short Film Festival, Mohamed Mahmoud, detalharam os critérios que moldam uma programação oficial. Segundo Abdelfattah, o mérito técnico e artístico é apenas um dos pilares avaliados. A curadoria também precisa considerar o equilíbrio geográfico e a representatividade de diferentes cinematografias. O diretor explicou que, diante de dois filmes com o mesmo nível de qualidade, a prioridade pode ir para produções de regiões com menor volume industrial, como o Sudão, em detrimento de países que produzem em larga escala, a exemplo do Egito.
Outro ponto crítico levantado pelos especialistas envolve a estratégia de submissão. Mahmoud apontou que muitos cineastas enviam seus projetos para festivais cujos temas e linhas editoriais não possuem qualquer conexão com o conteúdo do filme, desperdiçando tempo e recursos. Além disso, erros básicos de documentação, prazos perdidos e o desrespeito às regras de elegibilidade eliminam produções antes mesmo que o júri possa assisti-las.
Do lado da avaliação artística, a cineasta palestino-jordaniana Darin J. Sallam, que integrou o júri de longas-metragens da edição, destacou que o processo é inerentemente subjetivo. Para ela, o peso de uma obra reside em como as ideias tocam os jurados e quais histórias permanecem na memória coletiva após a exibição. Dessa forma, festivais continuam a ser espaços complexos onde a curadoria funciona muito mais como um mosaico cultural do que como um ranking absoluto de mérito.
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