Por que Kore-eda Hirokazu decidiu nunca filmar crianças chorando em seus longas

Diretor japonês compartilhou lições de sua carreira durante evento no Festival Internacional de Cinema de Singapura, destacando métodos com atores mirins e influências marcantes.

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O diretor Kore-eda Hirokazu e Boo Junfeng no Festival Internacional de Cinema de Singapura
Kore-eda Hirokazu durante painel no Festival Internacional de Cinema de Singapura. Crédito: Variety

Conhecido mundialmente por extrair atuações incrivelmente naturais de atores mirins em obras como Ninguém Pode Saber e Assunto de Família, o cineasta japonês Kore-eda Hirokazu revelou que existe uma regra estrita em sua filmografia: ele decidiu nunca colocar uma criança chorando na tela. A declaração foi feita no dia 24 de outubro de 2026, durante um evento do tipo “In Conversation” no Festival Internacional de Cinema de Singapura, onde recebeu o prêmio honorário de cinema do evento.

Segundo Kore-eda, a escolha não se baseia em uma dificuldade técnica, mas em uma convicção artística e ética sobre a memória afetiva do público. O diretor afirmou que o ideal é que, após o término da sessão, os espectadores se lembrem do sorriso daquela criança e chorem por conta própria. Para alcançar essa naturalidade, sua metodologia evoluiu ao longo dos anos, variando conforme o projeto. Em longas como Assunto de Família e produções internacionais como A Verdade e Broker: Uma Nova Chance, o cineasta optou por não entregar roteiros tradicionais aos pequenos atores, adaptando os diálogos à personalidade e vocabulário identificados durante os testes de elenco.

A abordagem, no entanto, é flexível. Durante a produção de Monster, Kore-eda avaliou que o tema exigia uma estrutura mais rígida e entregou roteiros ao elenco jovem para separar melhor as crianças de seus papéis dramáticos. O diretor credita sua visão a grandes influências do cinema asiático e mundial. De Hou Hsiao-hsien, ele adotou a técnica de se manter presente enquanto os atores brincam antes de rodar, retirando-se discretamente no momento em que a câmera começa a gravar. Já de Ken Loach, após uma conversa sobre o clássico Kes, Kore-eda absorveu a lição sobre a responsabilidade ética de conduzir atores em cenas sensíveis, mantendo sempre a cautela para não aplicar métodos do passado de forma automática a novas produções.

Olhando para o futuro e para a recepção de seus trabalhos mais recentes, como os longas Sheep in the Box e a adaptação em live-action do mangá Look Back, de Tatsuki Fujimoto, o diretor avalia que sua carreira entra em uma nova fase. Mesmo acumulando três décadas de trajetória e homenagens importantes, Kore-eda reforça que prefere manter a proximidade com o processo criativo e direcionar suas histórias para pessoas reais, afastando-se de fórmulas prontas e de fórmulas ditadas por inteligência artificial.

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