Série Brothers enfrentou veto político do governo de Chipre e precisou mudar gravações para a Europa
Em painel no Festival de Cinema de Thessaloniki em novembro de 2026, produtoras detalharam os impasses logísticos e financeiros da nova obra de Simon Farmakas.
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A nova série dramática Brothers, criação do showrunner Simon Farmakas estruturada ao redor de Nicósia, enfrentou barreiras políticas severas que impediram sua realização física no território chipriota. Durante um painel dedicado à obra no Festival de Cinema de Thessaloniki em novembro de 2026, as produtoras Fenia Cossovitsa e Alexandra Hoesdorff detalharam os bastidores turbulentos que forçaram a equipe a redesenhar toda a rota logística da produção de seis episódios, optando por locações alternativas na Alemanha, Luxemburgo e Grécia.
A trama da minissérie acompanha a aliança inesperada entre um detetive greco-cipriota pragmático e um turco-cipriota pouco ortodoxo, que se unem a uma auditora de um banco europeu na tentativa de desmantelar uma rede de corrupção política. Embora o enredo se passe integralmente na capital dividida, o projeto foi impedido de rodar no local por decisões governamentais. Segundo o criador da obra, a equipe foi conduzida a essa dispersão europeia por motivos estritamente políticos e restrições impostas pela administração local.
Conforme relataram as produtoras durante o evento na Grécia, o projeto havia sido submetido em agosto de 2025 ao Ministério da Cultura de Chipre para concorrer a incentivos fiscais locais equivalentes a um cash rebate. Meses de reuniões e análises de roteiro antecederam o impasse, que culminou em dezembro de 2025 com uma recusa transmitida unicamente de forma verbal, sem registros formais por escrito, justamente às vésperas do início oficial da pré-produção.
Você não pode fazer as pessoas desaparecerem. Você não pode fingir que, do outro lado da terra de ninguém, não existe a parte ocupada. Você não pode dizer que não há detetives turcos.
Fenia Cossovitsa
A recusa governamental colocou a produção em um cenário financeiro delicado, uma vez que a perda dos créditos fiscais locais exigiu soluções criativas imediatas para cobrir o rombo no orçamento antes que o cronograma ruísse por completo. A transferência de grande parte do suporte operacional para a Grécia atenuou o impacto logístico, viabilizando a continuidade das filmagens sem comprometer a integridade criativa da narrativa sobre a divisão territorial e os conflitos sociais da região.
A escolha de abordar a realidade geopolítica da ilha gerou atritos institucionais porque a equipe se recusou a omitir a presença turco-cipriota ou os símbolos visuais presentes no cotidiano de Nicósia. Para as criadoras, ignorar a divisão equivaleria a distorcer a própria premissa da história contada na tela. O obstáculo financeiro superado reforça a complexidade das coproduções internacionais independentes quando temas sensíveis entram na pauta de órgãos financiadores estatais.
Atualmente em fase de pós-produção e com distribuição garantida na Grécia pela plataforma MagentaTV, a série tem lançamento estimado para o próximo ano. O Festival de Cinema de Thessaloniki segue com programação ativa até o dia 15 de novembro de 2026, reunindo debates cruciais sobre coproduções internacionais, os limites da liberdade criativa e os desafios políticos enfrentados por cineastas em territórios marcados por divisões históricas.
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