Por que Caprica continua sendo uma das experiências cyberpunk mais ousadas da televisão

Derivada de Battlestar Galactica, a prequela aposta em inteligência artificial e ética corporativa em vez de guerras espaciais.

2 min de leitura

Eric Stoltz diante de um robô em Caprica
Cena da série Caprica, prequela de Battlestar Galactica. Crédito: Syfy

A televisão de ficção científica dos anos 2000 ficou marcada pelo sucesso de Battlestar Galactica, reboot criado por Ronald D. Moore que expandiu a mitologia original da franquia em quatro temporadas na emissora Syfy. No entanto, o universo expandido também abriu espaço para caminhos inesperados com a chegada de Caprica, uma série derivada que estreou em 2009 e adotou uma abordagem completamente diferente ao focar no gênero cyberpunk.

Enquanto a produção principal acompanhava a luta dos sobreviventes humanos contra os robôs Cylon em uma escala intergaláctica, o derivado se passou sessenta anos antes dos eventos da série clássica. A trama concentrou seus dezenove episódios em questões ligadas à realidade virtual, inteligência artificial e ao avanço tecnológico desregulado por grandes corporações, distanciando-se das batalhas espaciais tradicionais vistas em obras contemporâneas como Firefly.

Na prequela, o enredo humaniza a família Adama e acompanha um empresário milionário interpretado por Eric Stoltz que tenta recuperar a filha falecida por meio da transferência de sua personalidade digital para um corpo robótico. É exatamente nesse experimento que o protagonista acaba criando inadvertidamente o primeiro Cylon, demonstrando como catástrofes tecnológicas nascem de inovações com boas intenções iniciais.

A escolha criativa por explorar a estética e os dilemas morais do cyberpunk em formato serializado colocou a série em um território pouco explorado na televisão da época, que contava com poucas produções de grande orçamento dedicadas ao subgênero. Ao expandir o escopo da franquia para além de uma simples repetição de fórmulas espaciais, a prequela consolidou a profundidade narrativa construída por Ronald D. Moore na televisão.

Comunidade PopCo

Comentários (0)

Entre na conversa. Seu comentário aparece na hora e pode ser respondido por outros leitores.