Por muito tempo, parecia existir uma versão bastante simples da história: James Gunn e Peter Safran chegaram à DC Studios, decidiram reiniciar o universo e trocaram os principais atores da era anterior. Gal Gadot agora revelou que, pelo menos no caso da Mulher-Maravilha, os bastidores foram um pouco mais confusos.
Durante participação no podcast Happy Sad Confused, de Josh Horowitz, Gadot afirmou que a nova administração inicialmente teria dito justamente o contrário de que estava deixando seu papel. Segundo a atriz, houve conversas sobre desenvolver Mulher-Maravilha 3 com sua participação mesmo depois da mudança de comando.
A percepção de Gadot mudou quando ela começou a observar o que acontecia ao redor.
“Não foi conduzido de forma elegante”
Ao explicar por que não ficou completamente surpresa quando sua própria passagem pela DC terminou, a atriz mencionou diretamente Henry Cavill e Patty Jenkins. Para Gadot, a maneira como ambas as situações foram conduzidas pelo estúdio “não foi elegante”, embora ela tenha deixado claro que não guarda ressentimento pessoal de Gunn e Safran e entende que os executivos chegaram para construir aquilo em que acreditavam.
O caso de Cavill virou talvez o maior símbolo do período de transição. O ator reapareceu como Superman em Adão Negro, anunciou publicamente que retornaria ao papel e, apenas algumas semanas depois, descobriu que o novo DCU seguiria com uma versão mais jovem do personagem. Patty Jenkins, por sua vez, vinha desenvolvendo um terceiro filme da Mulher-Maravilha antes da reorganização do estúdio.
Gadot acabou entendendo que sua versão de Diana provavelmente teria o mesmo destino. O primeiro Mulher-Maravilha, lançado em 2017, havia sido um dos maiores sucessos criativos e comerciais do antigo universo, enquanto Mulher-Maravilha 1984 enfrentou uma recepção muito mais dividida e chegou durante a pandemia. Mesmo assim, ela reiterou que é grata pela oportunidade de ter interpretado a personagem e não transformou a entrevista em um ataque pessoal aos novos executivos.
Talvez seja justamente isso que torne a fala mais interessante. Gadot não está dizendo que a DC não tinha direito de mudar de direção. Está criticando a maneira como essa mudança foi comunicada para algumas das pessoas que representaram a marca durante quase uma década.
O DCU conseguiu seguir em frente com David Corenswet como Superman e prepara uma nova Mulher-Maravilha. Mas a declaração de Gadot deixa registrado algo que normalmente desaparece quando um reboot começa: para o público, trocar uma continuidade é apertar um botão. Para quem estava dentro dela, existiam contratos, planos e conversas que não desapareceram tão facilmente quanto uma linha do tempo.