Mohammad Rasoulof condena repressão no cinema iraniano ao receber prêmio em Tóquio

Diretor exilado citou nova condenação de Jafar Panahi durante festival no Japão e dividiu a honraria com a cineasta O Mipo.

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Mohammad Rasoulof e O Mipo no Festival Internacional de Cinema de Tóquio
Mohammad Rasoulof e O Mipo recebem o Prêmio Kurosawa Akira em Tóquio. Crédito: Getty Images

O cineasta Mohammad Rasoulof utilizou sua participação no Festival Internacional de Cinema de Tóquio para denunciar a contínua repressão sofrida por profissionais da indústria audiovisual no Irã. Premiado com a honraria Kurosawa Akira ao lado da diretora japonesa O Mipo em novembro de 2026, o diretor exilado chamou a atenção para a recente e severa sentença imposta a um de seus colegas mais proeminentes.

Durante a coletiva de imprensa oficial do evento, Rasoulof destacou que a perseguição política no país continua implacável. O diretor lembrou que Jafar Panahi, premiado no cenário internacional, foi recentemente condenado a mais cinco anos de prisão e teve seus bens confiscados pelo governo iraniano.

De fato, o cinema iraniano continua a enfrentar repressão, e meus amigos e colegas permanecem sob enorme pressão.

Mohammad Rasoulof

Além de abordar o cenário político de seu país natal, Rasoulof comentou sobre sua própria trajetória artística e a transição em sua linguagem visual. O cineasta afirmou que sua prisão em 2010 o fez abandonar o uso de metáforas e alegorias políticas, um recurso tradicional da poesia persa que ele utilizava para driblar a censura estatal. Segundo o diretor, a experiência o levou a optar por narrativas diretas e frontais em obras aclamadas como There Is No Evil e The Seed of the Sacred Fig, que examinam os próprios mecanismos do autoritarismo.

A comissão de seleção do prêmio em Tóquio, presidida por Yamada Yoji e integrada por nomes como Lee Sang-il, Ashizawa Akiko e Ichiyama Shozo, elogiou a coragem de Rasoulof em retratar os responsáveis pela opressão como cidadãos comuns. A comissão também celebrou o trabalho de O Mipo, que retornou aos longas-metragens após uma pausa dedicada à criação dos filhos, destacando sua sensibilidade ao retratar personagens marginalizados sem julgamentos morais e a valorização do tempo de vivência das equipes de filmagem.

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