7 tirinhas clássicas de Halloween de The Far Side que o tempo esqueceu

De paródias geniais de Tubarão e Psicose a cervos vestidos de caçadores, a sátira sombria de Gary Larson segue insuperável no humor de terror.

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Arte temática com quadrinhos clássicos da série The Far Side de Gary Larson
O traço irreverente de Gary Larson imortalizou paródias do gênero de horror em The Far Side Crédito: Andrews McMeel Syndication / Gary Larson

Entre 1980 e 1995, o cartunista Gary Larson redefiniu a comédia gráfica nos jornais com The Far Side. Com apenas um quadro estático, Larson dominava a arte do absurdo, invertendo noções comuns da sociedade humana e colocando animais, cientistas e monstros diante de situações imprevisíveis. Na temporada de Halloween, esse humor ácido ganhava tons ainda mais refinados, usando o medo como ferramenta perfeita para a gargalhada.

Em vez de apelar para os sustos fáceis, Larson encontrou na atmosfera dos clássicos cinematográficos e no folclore macabro um prato cheio para seu traço característico. Ao resgatar essas publicações temáticas, fica claro por que a tira continua influenciando gerações de quadrinistas e amantes do gênero.

Tirinha de Gary Larson parodiando o filme Tubarão com pescadores em um barco
A clássica tira de The Far Side que brinca com a icônica trilha de suspense de Tubarão · Imagem: Andrews McMeel Syndication / Gary Larson

Tubarão e a trilha sonoro inevitável

Quando Steven Spielberg lançou Tubarão em 1975, ele transformou a música tema composta por John Williams em sinônimo de perigo iminente. Gary Larson aproveitou esse peso cultural em uma tira minimalista: dois pescadores tranquilos em um pequeno barco subitamente escutam a sinistra melodia tocando no meio do nada. A visão do predador gigante subindo em direção à superfície dispensa qualquer explicação verbal sobre o destino da dupla.

Bait Motel e a paródia precisa de Psicose

Considerado o pai do suspense moderno nos cinemas, Psicose foi alvo de uma das piadas visuais mais engenhosas de The Far Side. Trocando o famoso Bates Motel por Bait Motel (o motel de iscas), a tira mostra um carro lotado de minhocas chegando à hospedagem isolada na calada da noite. Na janela do andar superior, em vez da misteriosa mãe de Norman, repousa a silhueta de uma mulher segurando uma vara de pescar. O detalhe divertido fica pelo nome de uma das minhocas no banco traseiro, batizada de Anthony em homenagem ao ator Anthony Perkins.

A carona perigosa e o espírito aventureiro

As lendas urbanas sobre assassinos com ganchos nas mãos povoam o imaginário coletivo e sempre serviram de alerta cautelar. Larson quebrou essa prudência ao retratar duas senhoras idosas dirigindo por uma estrada deserta. Quando avistam um homem de perna de pau e gancho pedindo carona com uma placa dizendo ‘Qualquer lugar’, a passageira incentiva a motorista a parar, enxergando na figura horripilante apenas uma chance emocionante de viver novas histórias.

O monstro de Frankenstein e sua noiva feita sob medida

A clássica sequência de 1935 dirigida por James Whale estabeleceu a icônica noiva da criatura criada por Mary Shelley. Na versão de Larson, o cientista louco tenta a todo custo contornar a falta de química no sofá entre suas duas criações desajeitadas. O diálogo cômico lembra ao casal que eles foram, no sentido mais estrito e literal da palavra, feitos um para o outro, já que pilhas de cadáveres no laboratório serviram de matéria-prima para uni-los.

Tirinha de The Far Side retratando um jantar misterioso inspirado em A Hora do Pesadelo
O humor macabro de Larson em paródia ambientada no universo de Elm Street · Imagem: Andrews McMeel Syndication / Gary Larson

O Halloween invertido dos cervos

A inversão de papéis entre humanos e animais sempre foi uma marca registrada da obra de Gary Larson. Em um dos painéis dedicados ao Dia das Bruxas, os filhotes de cervo saem para pedir doces fantasiados daquilo que mais temem na vida real: caçadores adultos vestindo camisas xadrez de flanela e gorros com abas de orelha. A criatividade do cartunista dispensa monstros sobrenaturais para expor os medos cotidianos da floresta.

Jantar macabro em Elm Street

Brincando com a histeria pop gerada pela franquia A Hora do Pesadelo, de Wes Craven, Larson elaborou uma de suas piadas mais perturbadoras e discretas. Enquanto uma família janta alegremente em uma sala escura afirmando saborear um delicioso frango assado, a própria ave entra na sala disfarçada com uma máscara do cachorro de estimação da casa. Sem precisar desenhar uma gota de sangue, o cartunista entrega uma conclusão bizarra sobre o verdadeiro prato servido na mesa.

A armadilha fatal do lobisomem vendedor

Fechando a galeria de pérolas esquecidas, Larson usou uma rara divisão sequencial de quadros para contar a história do azarado Edgar. Encurralado em sua residência, o homem dispara repetidamente contra um lobisomem violento sem sucesso. No instante final antes do ataque, ele reconhece a gravata listrada do monstro: a fera é o próprio dono da loja de armas que momentos antes lhe vendeu o lote de falsas balas de prata. Uma aula de timing cômico que mostra a força do horror clássico revisitado no espírito festivo do Halloween.

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