Se alguém perguntasse qual filme serviu como referência para Vingadores: Doomsday, seria fácil imaginar respostas como Guerra Infinita, algum épico de ficção científica ou até uma adaptação clássica dos quadrinhos da Marvel. Joe e Anthony Russo resolveram seguir em outra direção: uma das grandes inspirações para o novo Vingadores foi Era Uma Vez no Oeste, faroeste dirigido por Sergio Leone em 1968.
Os diretores revelaram a influência em entrevista à Associated Press, explicando que sempre tiveram uma relação especial com o gênero. Para eles, o faroeste possui uma capacidade rara de combinar escala monumental com momentos extremamente íntimos, exatamente o equilíbrio que pretendem encontrar em um filme que reunirá Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, Wakanda e diferentes núcleos do MCU ao redor de Victor von Doom.
E quando pensamos em Era Uma Vez no Oeste, a escolha começa a fazer bastante sentido. Leone construía tensão sem pressa, utilizava silêncio como parte da narrativa e fazia personagens enormes parecerem ainda maiores pela maneira como entravam e ocupavam cada cena. Não era necessário que alguém estivesse explodindo uma cidade a cada cinco minutos para transmitir a sensação de perigo.
Talvez seja exatamente essa uma das lições que a Marvel precise aplicar em Doomsday.
O verdadeiro problema de reunir tanta gente
O desafio do filme não parece ser entregar espetáculo. Com o elenco montado pela Marvel e um orçamento inevitavelmente gigantesco, explosões, portais e batalhas dificilmente serão o problema. O risco está em fazer tudo isso significar alguma coisa.
Os próprios Russos reconhecem que Doomsday é provavelmente a produção mais complexa que já enfrentaram. O projeto nasceu originalmente como Vingadores: A Dinastia Kang, passou por uma enorme reestruturação e acabou colocando Doutor Destino no centro da narrativa depois da saída de Jonathan Majors. Quando os irmãos Russo chegaram, o roteiro ainda estava sendo desenvolvido enquanto diferentes atores eram incorporados à produção.
Joe Russo explicou que eles tratam o roteiro como um “organismo vivo”. Ensaios e improvisações podem modificar cenas dependendo do que os atores entregam, algo especialmente relevante quando você possui dezenas de personagens com histórias completamente diferentes dividindo o mesmo filme.
É aí que Sergio Leone talvez entre menos como referência visual e mais como referência de ritmo. Um personagem como Doom precisa de espaço para existir. Se Robert Downey Jr. simplesmente entrar em cena cercado de CGI enquanto 40 heróis correm ao fundo, existe o risco de ele virar apenas mais um elemento dentro do caos. Se o filme permitir silêncio, expectativa e presença, Doom pode parecer muito maior antes mesmo de levantar uma mão.
Os Russos já provaram em Guerra Infinita que conseguem organizar um enorme elenco sem transformar o filme em uma chamada escolar de super-heróis. Desta vez, o número de peças aumentou e a responsabilidade também.
Talvez a referência mais interessante para Vingadores: Doomsday não esteja nos quadrinhos nem em outro filme da Marvel. Talvez esteja em um faroeste de quase 60 anos que entendia perfeitamente uma coisa: às vezes, a melhor forma de fazer algo parecer gigantesco é saber exatamente quando parar e deixar a cena respirar.