Como Beastars Leva a Sociedade de Animais Antropomórficos de Zootopia para um Lado Sombrio

A aclamada série em anime baseada na obra de Paru Itagaki expande o subgênero explorado pela Disney com uma abordagem voltada para o público adulto.

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Judy Hopps e Nick Wilde em Zootopia
Zootopia estabeleceu um padrão global para filmes de animação com animais antropomórficos. Crédito: Disney

As produções focadas em civilizações de animais antropomórficos ganharam enorme destaque comercial e cultural nas últimas décadas. Lançado em 2016 pela Walt Disney Animation Studios, o filme Zootopia arrecadou mais de um bilhão de dólares mundialmente e se consolidou como um dos maiores sucessos originais do gênero. A sequência Zootopia 2 manteve o fôlego da franquia ao estrear em novembro de 2025 com expressivos números de bilheteria e superar marcas históricas para animações de estúdios de Hollywood.

Enquanto as aventuras de Judy Hopps e Nick Wilde utilizam a cidade grande para discutir preconceitos e barreiras sociais em um formato voltado para toda a família, outras produções escolhem caminhos mais complexos. É o caso de Beastars, obra em anime baseada no mangá premiado de Paru Itagaki, publicado originalmente na revista Weekly Shōnen Champion entre setembro de 2016 e outubro de 2020.

Personagens de Beastars
Beastars aborda o cotidiano escolar e os dilemas biológicos de carnívoros e herbívoros. · Imagem: Studio Orange / Netflix

Produzida em computação gráfica pelo Studio Orange, a adaptação televisiva acompanha o lobo cinzento Legoshi na Cherryton Academy. A narrativa se diferencia de produções infantis ao expor de forma crua as tensões psicológicas e biológicas entre carnívoros e herbívoros, especialmente após o assassinato de um estudante alpaca chamado Tem. A história aborda temas espinhosos, como o mercado negro clandestino onde carnívoros consomem carne ilegalmente, expondo a fragilidade das leis que tentam manter a ordem social.

Ao longo de suas temporadas, divididas entre os primeiros anos focados no mistério escolar e a reta final que acompanha a transição de Legoshi para a vida adulta fora da academia, a série consolidou sua recepção positiva na Netflix com uma média elogiada pela crítica especializada. Outros títulos como BoJack Horseman e Aggretsuko também utilizaram animais antropomórficos para sátiras e dramas cotidianos, mas Beastars e Zootopia continuam como os principais expoentes em explorar a construção de mundos inteiros habitados por essas criaturas.

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