Ulya, representante da Letônia no Oscar, garante distribuição internacional antes de abertura em Tallinn

Filme em preto e branco dirigido por Viesturs Kairišs fecha acordos para diversos territórios, incluindo o Brasil, e explora a vida da lenda do basquete Ulyana Semjonova de forma autoral.

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O filme Ulya aposta em uma estética autoral para recontar a vida da atleta Ulyana Semjonova. Crédito: Ego Media

O longa-metragem letão Ulya, escolhido como representante do país na disputa por uma vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional, garantiu uma ampla expansão comercial ao fechar acordos de distribuição com diversos territórios globais. Conforme divulgado pelo diretor Viesturs Kairišs, a obra em preto e branco assegurou lançamento em mercados como América do Norte, França, Itália e Brasil, onde será distribuído pela Belas Artes. O filme também se prepara para abrir a trigésima edição do Tallinn Black Nights Film Festival, após passar pela seção Un Certain Regard do Festival de Cannes.

Inspirado na trajetória da lendária jogadora de basquete Ulyana Semjonova, conhecida por sua estatura de mais de dois metros e por sua postura reservada, o projeto foge dos moldes tradicionais de produções biográficas. Kairišs destacou que sua intenção artística era construir uma narrativa de tom autoral e subjetivo, focando na perspectiva interior da atleta por meio de escolhas visuais específicas. A concepção do filme surgiu do desejo do ator principal, Kārlis Arnolds Avots, de interpretar Semjonova, uma ideia inicialmente incomum que ganhou força após colaborações anteriores entre o ator e o cineasta no cinema e no teatro.

O impacto do longa junto ao público tem surpreendido a equipe criativa. Na Letônia, a produção consolidou-se como o segundo filme mais visto na história do país, gerando forte identificação com espectadores que encontram na tela reflexões sobre identidade e a sensação de não se encaixar em padrões impostos. A recepção internacional nos festivais também abriu caminho para que a obra ganhasse tração comercial em múltiplos continentes antes mesmo de sua estreia oficial em Tallinn, consolidando o alcance de uma narrativa centrada em figuras consideradas marginais ou fora do convencional.

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