Interpretar uma pessoa real costuma exigir meses de pesquisa. No caso de Andrew Garfield, o processo parece ter deixado consequências que continuaram mesmo depois de ele sair do set. Durante participação no Jimmy Kimmel Live!, o ator revelou que parou de usar o ChatGPT após interpretar Sam Altman, CEO da OpenAI, em Artificial, novo filme dirigido por Luca Guadagnino. A reação foi praticamente imediata e lembrou outra experiência marcante de sua carreira.
Garfield contou que algo muito parecido aconteceu quando interpretou Eduardo Saverin em A Rede Social, de David Fincher. Depois daquele filme, abandonou o Facebook; agora, depois de estudar Altman e a expansão da inteligência artificial, resolveu fazer o mesmo com o ChatGPT. Segundo o ator, quanto mais pesquisava o assunto, mais percebia que estamos entrando em um território que ninguém parece compreender completamente ainda.
Artificial fez Garfield olhar para a IA de outro jeito
O filme acompanha um dos episódios mais caóticos da história recente do Vale do Silício: os cinco dias de novembro de 2023 em que Sam Altman foi demitido do cargo de CEO da OpenAI pelo conselho da empresa e, após uma crise interna gigantesca, acabou contratado novamente. Yura Borisov interpreta Ilya Sutskever, Monica Barbaro vive Mira Murati e Ike Barinholtz aparece como Elon Musk. Artificial também aborda o crescimento do ChatGPT e as disputas em torno de quem deveria controlar uma tecnologia com capacidade de mudar setores inteiros da economia. Garfield deixou claro que sua inquietação não veio de uma ideia simplista de que “IA é ruim”. O que o incomodou foi justamente perceber quantas perguntas fundamentais continuam sem resposta: quais empregos desaparecerão, como economias reagirão à automação e até onde essas empresas realmente sabem onde estão indo. Em sua fala, ele ironizou a ideia de avançarmos primeiro e descobrirmos as consequências depois, enquanto todos prometem que no fim “vai ser incrível”.
Existe algo curioso em Garfield ter interpretado dois personagens ligados a tecnologias que mudaram profundamente a internet e sair das duas experiências querendo menos contato com elas. A Rede Social terminou fazendo o ator apagar o Facebook. Artificial conseguiu algo talvez ainda mais atual: fez Andrew Garfield abrir o ChatGPT, olhar para a caixa de texto e decidir que, por enquanto, era melhor fechar.