A possível compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount não está sendo disputada apenas em salas de reunião e órgãos reguladores. David Ellison percebeu que existe outro grupo que pode ajudar bastante a colocar pressão a favor do negócio: os donos das salas de cinema.

Segundo o TheWrap, a Paramount ofereceu transformar em contrato uma promessa ambiciosa caso a aquisição seja concluída: lançar aproximadamente 30 filmes por ano nos cinemas, divididos entre cerca de 15 produções da Paramount e 15 da Warner Bros. O compromisso também inclui uma janela teatral de aproximadamente 45 dias antes que os títulos cheguem ao streaming, algo particularmente importante para exibidores que passaram os últimos anos brigando contra estreias cada vez mais rápidas nas plataformas.

A movimentação é inteligente porque ataca diretamente um dos maiores medos gerados por grandes fusões de Hollywood. Quando dois estúdios gigantes se tornam um só, a expectativa natural é de cortes, redução de equipes e menos filmes sendo produzidos. Ellison está tentando vender exatamente o contrário: uma Warner e uma Paramount sob o mesmo guarda-chuva, mas ainda funcionando como marcas capazes de abastecer os cinemas regularmente. O Reino Unido já aprovou a aquisição de US$ 110 bilhões, mediante compromissos específicos ligados à operação local, embora ainda existam obstáculos legais nos Estados Unidos.

Para os cinemas, 30 longas anuais não são um detalhe. Depois de pandemia, greves e períodos de seca no calendário, garantir fluxo constante de grandes lançamentos significa manter público, funcionários e salas funcionando. Para Ellison, conquistar o apoio de redes como Regal e Vue também oferece um argumento político poderoso: ele pode apresentar a fusão não como redução do mercado, mas como uma promessa de investimento nele.

É claro que existe uma diferença enorme entre colocar uma promessa em contrato e garantir que 30 bons filmes apareçam todos os anos. Mas se Ellison realmente cumprir o número, a fusão poderá ter um efeito curioso: unir dois dos maiores estúdios de Hollywood e, ao mesmo tempo, obrigá-los formalmente a continuar alimentando justamente o lugar que muita gente passou anos dizendo estar morrendo. O cinema.